Rinha - 80 x 70 - OST - Acervo do blogueiro, adquirido em 1993. A assinatura
é autêntica, porém, o teor artístico da tela é questionado.
Francisco
Domingos da Silva, Chico da Silva ou, simplesmente, F da Silva, nasceu no Alto
Tejo, no Estado do Acre, em 1910 e faleceu, em Fortaleza, onde vivia, aos, 6 de
dezembro de 1985. Foi um dos maiores pintores da Art Naïf, além de desenhista, sapateiro.
Semi-analfabeto,
autodidata, Chico da Silva pintava sem regras, mas, com incrível habilidade. Foram esses
painéis que chamaram a atenção do artista e crítico suíço, Jean-Pierre Chabloz, que passou a procurá-lo pela cidade. Pelos moradores da Praia Formosa, Chico, até então, era chamado de “indiozinho débil mental”. Chabloz perguntou para alguns
habitantes quem era o autor daqueles desenhos, mas a constante resposta que
ouvia era:
__“É um cara meio louco. Um caboclo que veio
não se sabe de onde; se diverte rabiscando os muros e desaparece, sem deixar
endereço”.
Chabloz
não encontrou Chico facilmente, pois este ao saber que um estrangeiro alto e
forte estava a sua procura, fugiu achando que o suíço fosse um dos donos das
casas de muros recém ornados por ele. Após o encontro, Chabloz ficou admirado
com a simplicidade do artista e passou a incentivá-lo na pintura à guache; além
de fornecer todos os materiais para a produção dos trabalhos, Chabloz comprou
mais de 40 obras prontas levando-as à diversas exposições, entre elas, o Salão
Cearense de Pintura e o Salão de Abril de 1943. Chico da Silva foi estimulado
por Chabloz a desenhar e pintar cada vez mais. Essa amizade e confiança mútua
foi o suficiente para tornar as obras de da Silva, peças de qualidade para o
mundo das artes, no esterior. Por
ter sido criado desde menino frente as exuberantes paisagens da amazônia, com
cores e formas exóticas, a genialidade de Francisco da Silva floresceu,
resultando em pinturas primitivistas__ Art Naïf, como sedutoras obras para os olhos
dos artistas, críticos e pesquisadores do Brasil e da Europa. Pintor
de lendas, folclore nacional, cotidiano e seres fantásticos, Chico seduz o
observador por sua originalidade, pela diversidade de cores e formas e pela
genialidade nas pinturas primitivistas. Com seu talento e a influência de
Chabloz, Francisco da Silva conseguiu reconhecimento no cenário artístico
mundial.
Nos
últimos anos, a Secretaria de Cultura do Estado do Ceará conseguiu reunir vários
trabalhos do artista que pertenciam a Chabloz. Um deles tem exposição
permanente no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará e outros fazem parte de acervos de museus e
pinacotecas pelo mundo.
Em 1945, na companhia de
Chabloz, Antônio Bandeira, Inimá de Paula e outros artistas expôs na Galeria
Askanasy __ Rio de Janeiro. Chico
da Silva não foi influenciado por nenhuma escola ou grupo específico. Na
verdade, ele criou um estilo novo. Fundou uma escola no bairro de Pirambu, onde
cresceu, formado por seguidores de suas obras. Pela
supervalorização de seus trabalhos quis produzir cada vez mais obras recorrendo
a ajudantes para desenhar, deixando para ele somente a assinatura. Uma pesquisa
estimou que 90%, dos quadros posteriores a 1972, eram falsos. Tal acontecimento
cercou o artista de aproveitadores que vendiam essas falsificações em qualquer
lugar por pequenos preços.
Mesmo havendo questionamento
de suas obras no mercado de arte, foi convidado à participar da Bienal de
Veneza em 1966 (de onde recebeu Menção Honrosa). Três anos depois, Chabloz
cortou relação com Chico, afirmando mais tarde em uma entrevista para um jornal
que estava insatisfeito com a qualidade do artista.
Na
década de 70, além de lutar contra a falta de crédito de suas obras, enfrentou
a perda da esposa e seus próprios problemas de saúde. Se recuperou fisicamente
mas não conseguiu sua recuperação artística.
Fonte: "pinturabrasileira.com"