terça-feira, 13 de março de 2012

A Lenda do Morro da Boiada, em Juiz de Fora

Lá no Morro da Boiada, onde era antigamente o arraial de Santo Antônio, que existia antes de se fundar Juiz de Fora, havia uma capelinha do santo e um cemitério. Quando a população do Morro desprezou o local e veio cá pra vargem, onde está agora a cidade, trouxeram em procissão a imagem para o oratório do vigário, mas, qual! a imagem voltou para a sua capelinha. Tornaram a trazer o santo, mas ele tornou a voltar. Era mesmo uma teima sem remédio. Santo Antônio da Boiada era milagroso deveras, e o povo tinha com ele muita devoção! Valha-me, Santo Antônio da Boiada! e estava logo tudo arranjado, desde que fosse para bem, que para mal não há santo que ajude. O Morro da Boiada de primeiro era também habitado por uma quadrilha de salteadores e ganhou uma fama de perigoso e assombrado. Dizem que tem lá um china seco, que aparece fora de horas aos viajantes. Às vezes passam correndo bolas de fogo, galinhas de todas as cores, inté verdes, com seus pintinhos da mesma forma; topam-se fantasmas que vão crescendo, crescendo por essas alturas a riba, e cruzes de fogo, que aparecem e desaparecem não se sabe como. Ih! quem vai de noite no Morro da Boiada tem muito que ver e que contar. Mas quem é que se atreve a passar ali à meia-noite? Só se tiver oração das Almas Benditas, que então sim.

(Contada por um caboclo velho, antigo morador de Juiz de Fora, onde é muito vulgar esta lenda, entremeada de diversos episódios).
Extraída do livro Contos Populares Brasileiros, de Lindolfo Gomes, publicado pela Companhia Dias Cardoso, em 1918.
foto: arquivo de Marcelo Lemos

Um comentário:

  1. boua lenda nunka tinha ouvido falar mxm morando aki na cidade

    ResponderExcluir