segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

F da Silva__ Um Pintor Brasileiro

Rinha - 80 x 70 - OST - Acervo do blogueiro, adquirido em 1993. A assinatura
é autêntica, porém,  o teor artístico da tela é questionado.
Francisco Domingos da Silva, Chico da Silva ou, simplesmente, F da Silva, nasceu no Alto Tejo, no Estado do Acre, em 1910 e faleceu, em Fortaleza, onde vivia, aos, 6 de dezembro de 1985. Foi um dos maiores  pintores da Art Naïf, além de desenhista, sapateiro.
Semi-analfabeto, autodidata, Chico da Silva  pintava sem regras, mas, com incrível habilidade. Foram esses painéis que chamaram a atenção do artista e crítico suíço, Jean-Pierre Chabloz, que passou a procurá-lo pela cidade. Pelos moradores da Praia Formosa, Chico, até então, era chamado de “indiozinho débil mental”. Chabloz perguntou para alguns habitantes quem era o autor daqueles desenhos, mas a constante resposta que ouvia era:
 __“É um cara meio louco. Um caboclo que veio não se sabe de onde; se diverte rabiscando os muros e desaparece, sem deixar endereço”. 
Chabloz não encontrou Chico facilmente, pois este ao saber que um estrangeiro alto e forte estava a sua procura, fugiu achando que o suíço fosse um dos donos das casas de muros recém ornados por ele. Após o encontro, Chabloz ficou admirado com a simplicidade do artista e passou a incentivá-lo na pintura à guache; além de fornecer todos os materiais para a produção dos trabalhos, Chabloz comprou mais de 40 obras prontas levando-as à diversas exposições, entre elas,  o Salão Cearense de Pintura e o Salão de Abril de 1943. Chico da Silva foi estimulado por Chabloz a desenhar e pintar cada vez mais. Essa amizade e confiança mútua foi o suficiente para tornar as obras de da Silva, peças de qualidade para o mundo das artes, no esterior. Por ter sido criado desde menino frente as exuberantes paisagens da amazônia, com cores e formas exóticas, a genialidade de Francisco da Silva floresceu, resultando em pinturas primitivistas__ Art Naïf, como sedutoras obras para os olhos dos artistas, críticos e pesquisadores do Brasil e da Europa.  Pintor de lendas, folclore nacional, cotidiano e seres fantásticos, Chico seduz o observador por sua originalidade, pela diversidade de cores e formas e pela genialidade nas pinturas primitivistas. Com seu talento e a influência de Chabloz, Francisco da Silva conseguiu reconhecimento no cenário artístico mundial.
Nos últimos anos, a Secretaria de Cultura do Estado do Ceará conseguiu reunir vários trabalhos do artista que pertenciam a Chabloz. Um deles tem exposição permanente no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará e outros fazem parte de acervos de museus e pinacotecas pelo mundo.
Em 1945, na companhia de Chabloz, Antônio Bandeira, Inimá de Paula e outros artistas expôs na Galeria Askanasy __ Rio de Janeiro. 
Chico da Silva não foi influenciado por nenhuma escola ou grupo específico. Na verdade, ele criou um estilo novo. Fundou uma escola no bairro de Pirambu, onde cresceu,  formado por seguidores de suas obras. Pela supervalorização de seus trabalhos quis produzir cada vez mais obras recorrendo a ajudantes para desenhar, deixando para ele somente a assinatura. Uma pesquisa estimou que 90%, dos quadros posteriores a 1972, eram falsos. Tal acontecimento cercou o artista de aproveitadores que vendiam essas falsificações em qualquer lugar por pequenos preços.
Mesmo havendo questionamento de suas obras no mercado de arte, foi convidado à participar da Bienal de Veneza em 1966 (de onde recebeu Menção Honrosa). Três anos depois, Chabloz cortou relação com Chico, afirmando mais tarde em uma entrevista para um jornal que estava insatisfeito com a qualidade do artista.
Na década de 70, além de lutar contra a falta de crédito de suas obras, enfrentou a perda da esposa e seus próprios problemas de saúde. Se recuperou fisicamente mas não conseguiu sua recuperação artística.
Fonte: "pinturabrasileira.com"

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